Listão: Os 10 piores filmes de 2019


Nossa primeira lista de final de ano no Chovendo Sapos traz os títulos que consideramos representar aquilo que de pior surgiu como longa-metragem em 2019. São títulos que chegaram ao Brasil no corrente ano seja através do circuito comercial cinematográfico ou por serviços de streaming e locação online e que foram vistos pelo editor do site, claro. Assim, é uma lista pessoal na qual só foram incluídas as obras que tive o (des) prazer (???) de assistir e é bem possível que outros filmes bem piores não tenham sido incluídos. Aproveite então para deixar na barra de comentários suas possíveis sugestões de inclusão na lista! 

Vamos aos filmes:


10º lugar
The Dirt: Confissões do Mötley Crüe
Dir.: Jeff Tremaine

Iniciamos 2019 com a premiação de Bohemian Rhapsody no Globo de Ouro, SAG e Oscar em algumas das principais categorias. Se você acha que a cinebiografia de Freddie Mercury e do Queen pode ser considerada como uma dos piores ou mais hiperestimados filmes do gênero é porque não assistiu ainda The Dirt: Confissões do Mötley Crüe. Ao narrar a trajetória do Mötley Crüe, Tremaine perde a oportunidade de dar a volta no próprio teor trash da banda e fazer uma obra repleta de ironia. O longa reveste-se de seriedade, assumindo um tom artificial e maneirista de cinebiografia do Lifetime e tem performances constrangedoras do seu elenco principal. 


Disponível na Netflix


9º lugar
Contato Visceral
Dir.: Babak Anvari

Contato Visceral é o tipo de filme que daqui alguns anos possivelmente será objeto de reivindicação de revisão pela cibercinefilia - na verdade, é bem possível que nesse mesmo ano encontremos defensores do longa. O título de Babak Anvari que sucedeu o cultuado Sob a Sombra é o tipo de obra que aparente ter inúmeros simbolismos em uma trama que mistura as relações mediadas pelo universo digital com a história de um barman interpretado por Armie Hammer. A questão é que, particularmente, não acho que o caso de Anvari em Contato Visceral se assemelha a Justin Kelly em Donnie Darko, por exemplo. 


Disponível na Netflix


8º lugar
Hellboy
Dir.: Neil Marshall

Hellboy foi anunciado como a interpretação do clássico personagem da Dark Horse mais próxima dos quadrinhos que o público veria nas telas, assimilando inclusive no seu roteiro passagens de algumas das suas mais celebradas histórias. O filme de Neil Marshall entretanto é um trabalho frio e protocolar cujos acontecimentos não fazem muito sentido como unidade. Para completar, a obra sugere um humor que soa mais como aquele repertório de tio chato que te conta piadas sem a menor graça e acha que está "abafando". David Harbour até convence como o personagem e as cenas de ação exageradas dialogam com o contexto, mas a saudade de Guillermo del Toro e sua visão para universo do personagem nos anos 2000 bate forte. 

Obs.: Não fizemos crítica sobre o longa no site. 

Disponível no Net Now e em outras plataformas de locação online


7º lugar
Obsessão Secreta
Dir.: Peter Sullivan

A cota "suspense nível Supercine" do ano fica por conta de Obsessão Secreta, produção original da Netflix. Incorrendo num erro comum de filmes do gênero feito à toque de caixa, a produção trata como surpreendente a solução que encontra para o principal mistério da história. Acontece que o twist é evidente para o espectador desde o primeiro momento da trama. Como acontece com parte das produções originais da gigante dos streamings, ganhou um buzz na rede que não condiz com o seu resultado.  


Disponível na Netflix


6º lugar
After
Dir.: Jenny Gage

After é o representante do fenômeno Wattpad em 2019. A plataforma voltada para o lançamento de fanfics lançou esse romance de Anna Todd, que se inspirou no cantor Harry Styles para criar a sua história de amor. O filme apresenta aquela série de estereótipos preconceituosos sobre o universo adolescente que já não cabem mais em 2019, como a representação da mocinha como uma garota virginal cujo dilema central é sua primeira experiência sexual, os vilões como jovens tatuados, com piercings e bissexuais etc. Não chega a ser tão ruim quanto A Barraca do Beijo da Netflix, que teve origem parecida, mas transita naquilo que de mais constrangedor existia em Cinquenta Tons de Cinza e a saga Crepúsculo


Disponível no Net Now e em outras plataformas de locação online. 


5º lugar
Kings: Los Angeles em Chamas
Dir.: Deniz Gamze Ergüven

Halle Berry não tem dado muita sorte há anos. A única negra a vencer o Oscar de melhor atriz (2002 por A Última Ceia) não consegue encontrar o projeto certo para um comeback. É certo que ela esteve no elenco de um dos maiores sucessos do ano, John Wick 3 (e arrasou como uma kick-ass heroína de ação ao lado de Keanu Reeves), mas em seu solo com Kings: Los Angeles em Chamas a decepção foi gigantesca. Kings: Los Angeles em Chamas foi o primeiro filme nos EUA da diretora Deniz Gamze Ergüven após ter sido indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro por Cinco Graças e contava a história de uma família liderada pela personagem de Berry durante os protestos pelo julgamento de Rodney King, caso em alta após a minissérie American Crime Story: O Povo contra O.J. Simpson. O longa teve a pior repercussão possível no Festival de Toronto e chegou para o público com um corte duvidoso de apenas uma hora e trinta minutos de duração.


Disponível no Net Now e em outras plataformas de locação online


4º lugar
Calmaria
Dir.: Steven Knight

Calmaria tem o roteiro mais "what the fuck?" de 2019. A trama do filme tem ecos de cinema noir ambientada em uma cidade pesqueira no litoral dos EUA. O diretor e roteirista Steven Knight (de Locke) "deu uma pirada" e assinou uma obra que nos lembra Christopher Nolan e M. Night Shyamalan nos seus piores dias. As reviravoltas de Calmaria envolvem paternidade mal resolvida, abusos domésticos e um twist inesperado (na pior acepção que o adjetivo possa ter). Atores como Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Diane Lane fazem o que podem, mas a culpa é toda do "delírio" criativo de Knight. Sabe-se lá porque, o cineasta acreditou que Calmaria continha uma reviravolta brilhante. Não tem, ela é apenas estapafúrdia.


Disponível no Net Now e em plataformas de locação online 


3º lugar
Sai de Baixo: O Filme
Dir.: Cris D'Amato

Tudo o que o sitcom Sai de Baixo tinha como traço de identidade se perde em Sai de Baixo: O Filme. Saindo dos palcos e, consequentemente, perdendo sua plateia, o filme deixa para trás parte importante da fórmula de sucesso do produto televisivo. O público das apresentações "ao vivo" do Sai de Baixo era combustível para a interpretação do seu ótimo elenco, inclusive. O filme é uma série de esquetes sem graça, a maioria protagonizadas por um Tom Cavalcante que parece querer compensar os anos que passou longe de Vavá e cia. É verdade que tem uma das cenas mais inusitadas da história do cinema nacional - e que envolve Aracy Balabanian e seu irretocável "cabeção" -, mas até chegar nesse ponto... 

Obs.: Não fizemos crítica sobre o longa no site. 

Disponível no Net Now e em plataformas de locação online


2º lugar
Cópias: De Volta à Vida
Dir.: Jeffrey Nachmanoff

2019 foi o ano no qual as pessoas manifestaram todo seu amor por Keanu Reeves. O keanuísmo esteve em alta.  Com o sucesso de John Wick 3 e o anunciado retorno de Matrix e Bill e Ted, Reeves foi um dos principais nomes do ano. No entanto, nem só de glórias vive um artista. Reeves protagonizou a vexatória ficção-científica Cópias: De Volta à Vida, que narra a história de um cientista tentando trazer sua família de volta à vida após um grave acidente de carro. Tudo em Cópias é constrangedor, dos seus efeitos visuais precários, sua trama desenvolvida sem o menor nexo científico, até a interpretação apática de Reeves que, definitivamente, não se encaixa em qualquer papel. 


Disponível na Netflix


1º lugar
O Massacre da Família Manson
Dir.: Andrew Jones

O assassinato de Sharon Tate pela família Manson voltou a ser tópico de discussão em obras como Era uma vez em... Hollywood de Quentin Tarantino e a segunda temporada de Mindhunter. Nos dois casos, o tratamento do tema foi marcado pela lucidez e sensibilidade. O mesmo não pode ser dito do infame O Massacre da Família Manson de Andrew Jones, que explorou o caso para fazer uma história infame sobre uma cantora que se hospeda na casa em que Tate e seus amigos foram assassinados e passa a ser atormentada pelos espíritos dos mortos após se consultar com uma mediúnica. Mais assustador ainda é ler nos créditos finais as notas de respeito de Jones às vítimas do caso, isso depois de assistir sua reconstituição caricata sobre os eventos. 


Disponível no Net Now e em outras plataformas de locação online

Em anos anteriores: João de Deus: O Silêncio é uma Prece (2018); Os Guardiões (2017); Truque de Mestre: O 2º Ato (2016); Terceira Pessoa (2015); Invasão à Casa Branca (2013) e Gamer (2009). 

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Listão: Os 10 piores filmes de 2019
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