Os melhores atores de 2017


2017 foi um ano de grandes atuações. Pela primeira vez no Listão, dividimos nossas menções para atuações em quatro categorias distintas: protagonistas (5 nomes), coadjuvantes (5 nomes) e jovens atores (3 nomes) no cinema e atores de séries, minisséries ou filmes para TV ou serviços de streaming (3 nomes). As escolhas se referem a obras lançadas no Brasil em 2017 e são títulos que foram vistos pelo site, portanto, alguns nomes podem ficar naturalmente de fora. 

Chegamos aos seguintes nomes, em ordem decrescente de colocação: 

Os protagonistas


5º lugar
Robert Pattinson Bom Comportamento
como Connie Nikas

Robert Pattinson já se revelou um excelente ator em The Rover: A Caçada. Em Bom Comportamento, o ex-Crepúsculo cimentou de vez seu nome como um dos mais promissores desta geração deixando para trás seu passado na famigerada franquia vampiresca que lhe rendeu muitos haters na cinefilia. No drama criminal, o ator vive um rapaz sem eira nem beira que luta desesperadamente para sobreviver e tirar o irmão da detenção. O mais curioso em Bom Comportamento é perceber como Pattinson saiu da zona de segurança do "ator funcional" para dar vida aqui a um sujeito extremamente afetuoso e safo, uma figura que em nada se assemelha a sua persona pública. 



4º lugar
Daniel Kaluuya | Corra!
como Chris Washington

Revelação de Black Mirror, Daniel Kaluuya impressionou no cinema em Corra!. No filme o ator interpreta um rapaz que viaja para conhecer a família da sua namorada e toma contato com uma comunidade racista que pratica estranhos experimentos com negros. Kaluuya é o centro das atenções desse filme e peça fundamental para a experiência do espectador na medida em que o mesmo passa a entender a crítica social que existe por trás do engenhoso filme de terror de Jordan Peele. A performance de Kaluuya é reativa e amplifica em nível de tensão conforme seu personagem se depara com o preconceito e suas manifestações mais monstruosas. 



3º lugar
Louis Garrel | O Formidável
como Jean-Luc Godard

A péssima recepção de O Formidável em Cannes não quer dizer nada. A inventiva biografia de Jean-Luc Godard conduzida por Michel Hazanavicius nos apresenta a um lado mais humano do cultuado cineasta francês através do humor. A chave de comunicação não é a ridicularização do diretor, como apontaram alguns críticos, mas sua construção como um sujeito cheio de manias e incoerências, uma figura humana no fim das contas. Esse processo de humanização do mito tem Louis Garrel como elemento fundamental na medida em que o ator transforma Godard numa personagem que parece ter saído de um filme de Woody Allen, ou seja, cheia de incoerências e manias. Uma interpretação bem curiosa, diferente do que Garrel acumula em sua carreira.  



2º lugar
Denzel Washington | Um Limite entre Nós
como Troy Maxson

Dirigindo e protagonizando um projeto de grande vínculo afetivo, Denzel Washington não poderia ficar de fora da lista pelo papel que lhe rendeu mais uma indicação ao Oscar. Em Um Limite entre Nós o veterano interpreta um chefe de família cheio de intolerância e falhas de caráter que corroem o seu lar na proporção que a história avança. Troy Maxson não era uma companhia fácil de conviver para sua esposa Rose e seus demais familiares. O interessante da performance de Washington é como o ator carrega de sinceridade o temperamento explosivo e a forma de enxergar o mundo que seu personagem tinha, tornando seu desempenho aqui um dos melhores de sua carreira. 



1º lugar
James McAvoy | Fragmentado
como Kevin Wendell, Dennis, Patricia, Hedwig, a Fera, Crumb, Barry, Orwell, Jade

M. Night Shyamalan fez barulho com seu suspense Fragmentado que, em boa parte, deve ter seu êxito creditado ao intenso desempenho de James McAvoy se desdobrando nas inúmeras personalidades do seu inesquecível vilão. Há anos o ator merecia um papel digno do seu calibre  e McAvoy não fez feio, seja na impressionante rapidez com que trocava o personagem que estava presente em cena, seja nos instantes em que demonstrava oscilação de personalidade entre eles. Podemos dizer que se existem falhas em Fragmentado todas são contornáveis pela brilhante interpretação do seu protagonista, deixando o público em estado de tensão tamanha a imprevisibilidade das reações que podem tomar conta das inúmeras personalidades que habitam o corpo do seu estranho personagem. Mal podemos esperar pelo seu retorno em 2019 com Glass!


Escolhas anteriores:
Jacob Tremblay, O Quarto de Jack (2016)
Channing Tatum, Foxcatcher (2015)
Jake Gyllenhaal, O Abutre (2014)
Joaquin Phoenix, O Mestre (2013)
Ryan Gosling, Drive (2012)
Brad Pitt, A Árvore da Vida (2011)
Leonardo DiCaprio, Ilha do Medo (2010)
Ryan Gosling, A Garota Ideal (2009)
Daniel Day-Lewis, Sangue Negro (2008)
Gerard Butler, 300 (2007)
Philip Seymour Hoffman, Capote (2006)

Os coadjuvantes



5º lugar
Ben Foster | A Qualquer Custo 
como Tanner Howard

No western contemporâneo A Qualquer Custo, Ben Foster interpreta o irmão do protagonista vivido por Chris Pine. Foster, um ator sempre visceral, constrói um tipo que é movido pela vida criminosa e gosta de viver a adrenalina que a possibilidade de ser pego pela polícia lhe oferece a todo instante como risco. Como contraponto de um protagonista passível de redenção, Ben Foster oferece um personagem necessário à história e fundamental para a trajetória da figura central desse filme. 



4º lugar
Trevante Rhodes | Moonlight: Sob a Luz do Luar 
como "Black"

Terceiro ator que dá vida ao protagonista de Moonlight, Trevante Rhodes interpreta a versão adulta do personagem batizado ao final do filme como "Black". O desafio de Rhodes é interpretar o protagonista do drama na maturidade. Na terceira fase do filme, o ator assume a personalidade socialmente conhecida do protagonista, mas também àquela que esconde. Ao lidar com um personagem que vive a tensão de disfarçar uma pretensa fragilidade por trás da couraça de um sujeito das ruas, Rhodes brilha como um dos tantos talentos que esse filme acaba revelando para o cinema. 



3º lugar
Jeff Bridges | A Qualquer Custo 
como Marcus Hamilton

A presença de Jeff Bridges em A Qualquer Custo é tão fundamental quanto a de Ben Foster, sobretudo porque ele é ponto nevrálgico da maneira como esse western revisita o próprio gênero. Na pele de um xerife racista que já nem consegue mais sustentar seu próprio preconceito no contexto em que vive, o personagem de Bridges surge como uma figura deslocada da sua própria época, decadente. O veterano tira de letra o personagem e oferta mais uma interpretação memorável do seu já prestigiado currículo. 



2º lugar
Mahershala Ali | Moonlight: Sob a Luz do Luar 
como Juan


Mahershala Ali aparece brevemente em Moonlight: Sob a Luz do Luar (somente no seu primeiro ato), mas podemos dizer que sua presença é dominante em todo o filme, sobretudo porque se transforma numa referência que o protagonista do longa leva para toda a vida. Vencedor do Oscar de melhor ator coadjuvante por este papel, Mahershala Ali torna Juan admirável não por ter um caráter inabalável mas por estar disposto a mostrar para o jovem Chiron que caminhos tortuosos da vida adulta ele pode evitar. 



1º lugar
Bill Skarsgard | It: A Coisa
como Pennywise


Assumir um personagem tão emblemático quanto o palhaço Pennywise, encarnado por Tim Curry na minissérie para TV de 1990, não foi tarefa fácil para Bill Skarsgard. O ator conseguiu encarar o desafio, imprimindo sua própria personalidade na composição da personificação dos pesadelos das crianças na adaptação de Stephen King. Apesar dos recursos digitais que deram suporte à interpretação do ator - e que tornaram Pennywise ainda mais assustador - a composição de Skarsgard não é engolida pela tecnologia e pequenos detalhes mostram quão meticulosa foi a forma como ele pensou cada cena do seu vilão, um personagem que, na tradição da essência do horror, guarda em si nossos medos, mas também muito humor e um certo fascínio. Escolha perfeita!


Escolhas anteriores: 
Tom Hardy, O Regresso (2016)
Mark Rylance, Ponte dos Espiões (2015)
Jared Leto, Clube de Compras Dallas (2014)
Philip Seymour Hoffman, O Mestre (2013)
Ezra Miller, Precisamos falar sobre o Kevin (2012)
Ben Mendelsohn, Reino Animal (2011)
Luke Ford, Sei que vou te amar (2010)
Christoph Waltz, Bastardos Inglórios (2009)
Heath Ledger, Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008)
Jackie Earle Haley, Pecados Íntimos (2007)
Jack Nicholson, Os Infiltrados (2006)

Menção especial para jovens atores



3º lugar
Finn Wolfhard | It: A Coisa
como Richie Tozier

Protagonista da série da Netflix Stranger Things, Finn Wolfhard é uma das crianças do elenco de It: A Coisa, o falastrão Richie Tozier. Contando vantagem de praticamente tudo, Wolfhard faz de Richie o alívio de humor num filme que não dá trégua emocional para o espectador. É curioso assistí-lo fazendo algo completamente oposto ao seu altruísta e corajoso Mike Wheeler de Stranger Things



2º lugar
Sunny Pawar Lion: Uma Jornada para Casa
como Saroo


O pequeno Saroo de Lion: Uma Jornada para Casa dominou o red carpet da temporada de prêmios passada e também o seu próprio filme, ofuscando até mesmo estrelas do porte de Nicole Kidman. O garoto vive o protagonista do longa em toda a sua primeira parte e o filme de Garth Davis depende praticamente de Sunny Pawar nesse momento. Carismático ao lidar com cenas bastante difíceis, Pawar se transformou no rosto de Lion



1º lugar
Alex R. Hibbert | Moonlight: Sob a Luz do Luar
como "Little"


Intérprete do protagonista de Moonlight: Sob a Luz do Luar na sua primeira fase, Alex R. Hibbert dá vida a versão "Little" de Chiron, um garoto introspectivo e acuado que conhece o Juan de Mahershala Ali, figura que se revela importante para seu amadurecimento. A expressividade corporal de Hibbert na primeira fase de Moonlight é um dos pontos altos da interpretação do menino, que está sempre olhando para o chão e falando baixo, reações naturais ao contexto de opressão em que vive. 


Escolhas anteriores:
Tom Holland, O Impossível (2012)
Max Records, Onde os Monstros Vivem (2010)
Kodi Smit-McPhee, Romulo, Meu Pai (2008)

Menção especial para atores em séries, minisséries e filmes feitos para TV ou serviços de streaming


3º lugar
Jonathan Groff Mindhunter (1ª temporada)
como Holden Ford

Em Mindhunter, o policial Holden Ford mergulha tão fundo na mente dos seus objetos de estudos, perigosos serial killers no corredor da morte, que sequer dá conta de como ele mesmo se transforma aos olhos daqueles que o cercam. Jonathan Groff vive esse jovem e fascinante investigador encantado pelos meandros do funcionamento da mente humana, se conectando com as pessoas desta forma, seja sua namorada, a sua nova chefe ou o assassino Edmund Kemper. O ator dá conta da rapidez de raciocínio de Holden, além do pragmatismo com que conduz sua vida, algo que beira o egoísmo em muitos momentos já que sequer enxerga como seu modo de encarar o trabalho deteriorou suas relações pessoais. 



2º lugar
Christopher Eccleston | The Leftovers (3ª temporada)
como Matt Jamison

É claro que as atenções de The Leftovers sempre foram do casal Kevin Garvey e Nora Durst, vivido por Justin Theroux e Carrie Coon, mas sempre temos aquele episódio do Matt em todas as temporadas no qual o ator Christopher Eccleston domina as atenções com o jeito peculiar do seu líder religioso. Na terceira temporada de The Leftovers, Eccleston tem esse episódio (tão bizarro quanto os demais), "It's a Matt, Matt, Matt, Matt World", mas também está presente em outros episódios, sendo parte importante dos questionamentos existenciais que rondam as decisões de Kevin, Nora e Laurie durante a temporada. 



1º lugar
Evan Peters | American Horror Story: Cult
como Kai Anderson

Evan Peters sempre foi uma presença a ser notada na antologia de horror de Ryan Murphy e Brad Falchuk, mesmo quando aparecia pouco (Roanoke) ou seu personagem fora completamente desperdiçado pelos roteiros da série (Coven). No entanto, no sétimo ano de American Horror Story, o ator tem uma trama que gira em torno do seu personagem, o líder do culto de fanáticos Kai Anderson. O resultado não poderia ser outro, Peters compõe um vilão complexo que não mede esforços ou possui filtros para seus atos quando o assunto é seduzir novos seguidores que o façam atingir seus objetivos. O personagem atinge um nível crescente de perigo à sociedade conforme a paranoia se instala no grupo e na medida em que ele fica mais próximo de conseguir o poder que tanto quer. A temporada pode até ter sido questionável, mas fica difícil não se sentir hipnotizado pelo desempenho de Peters em Cult

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Agenda,14,Checklist,11,Cinco Atos,1,Crítica,197,DVD & Blu-Ray,6,Editorial,2,Entrevista,2,Extras,9,Listão,18,Matéria Especial,20,Notícias,34,Prévia,77,Radar Crítico,20,Rewind,11,TV & Streaming,45,Vilões que Amamos Odiar,1,
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Chovendo Sapos: Os melhores atores de 2017
Os melhores atores de 2017
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