O olhar de Anne Pinheiro Guimarães para essa história é certeiro. Ao falar sobre solidão, a cineasta explora com muita propriedade uma geografia propícia para a temática: Brasília. Guimarães faz um uso inteligente dos espaços da cidade, aproveitando cada paisagem aberta, ampla e vazia da capital brasileira para dimensionar o sentimento de Helena e seus filhos frente aos desafios de uma nova vida.
Ao longo da narrativa, outros personagens também surgem para fazer coro aos protagonistas, fazendo com que Pequenas Criaturas represente uma síntese dos sentimentos de quem está de passagem ou de quem chega para fixar residência em Brasília. A busca por conexão frente ao estado de solidão imposto pela vida – por quaisquer motivos – é o grande mote dessa narrativa.
Apesar do ótimo desempenho de Carolina Dieckmmann, encarnando muito bem todo um quadro melancólico para Helena, quem brilha mesmo em Pequenas Criaturas é o grupo de crianças e adolescentes da história. Théo Medon modula todas as inquietações da adolescência com André em um mix de insegurança e rebeldia. Lorenzo Mello é puro carisma como o filho caçula de Helena, Dudu, menino que passa boa parte do filme usando uma máscara de um dos personagens do filme Planeta dos Macacos. Acauã Alves também tem ótimos momentos como Marcão, um amigo que André e Dudu fazem em Brasília e que tem uma história tristíssima envolvendo seu irmão mais novo e sua mãe. Há também uma ótima participação de Letícia Sabatella como Ângela, vizinha divorciada de Helena.








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