Mais do que a trama que exibe ou costura em seu longa, Kristen Stewart apresenta a estrutura narrativa de A Cronologia da Água como seu diferencial. O filme não é afeito a um modo tradicional de narrar os eventos e o que vemos na tela são fragmentos costurados de momentos na vida da protagonista que na maioria das vezes não são didáticos ou expositivos a respeito dessa história. Cabe ao espectador juntar o quebra-cabeças emocional proposto pela sua diretora e tecer uma radiografia sobre a sua protagonista.
Nem sempre esse caminho escolhido por Stewart rende a melhor das experiências. Há uma certa auto-indulgência no teor experimental de A Cronologia da Água, uma prevalência da forma pela forma e escanteamento do desenvolvimento do seu conteúdo. Outras vezes fica a sensação que A Cronologia da Água é redundante como narrativa, ensimesmando-se no sofrimento da sua personagem principal através dos planos calculados milimetricamente pela sua diretora para causar impacto estético. O filme tem atores empenhados em cena como a própria protagonista Imogen Poots e há uma participação pontualmente interessante de Thora Birch, uma das protagonistas de Beleza Americana resgatada aqui por Stewart, mas o filme é tão vago na construção da personalidade dessas personagens que muito pouco se aproveita do elenco.
O ponto de vista de Stewart tem a sua validade. A Cronologia da Água é um ponto de vista feminino sobre dores que, obviamente, apenas a vivência de uma mulher pode dar conta. No entanto é a forma como expressa esse olhar, curiosamente sua natureza distintiva, que pode gerar entrave no público, evidenciando seus problemas de comunicação.







COMENTÁRIOS