Crítica: A Filha do Rei do Pântano

 

Baseado no best-seller escrito por Karen Dionne, A Filha do Rei do Pântano é um thriller que narra a história de Helena Pellletier. A jovem passou sua infância isolada na floresta com os pais até descobrir que seu genitor (Ben Mendelsohn de Capitã Marvel) era um criminoso que mantinha sua mãe em cativeiro. Antes de ser preso, o pai de Helena a ensina todas as técnicas de sobrevivência na mata. Diante da possibilidade de reencontrá-lo na vida adulta depois dele cumprir alguns anos de prisão, os instintos da jovem ficam mais aguçados. Helena passa a entender que deve acatar o seu destino e reencontrá-lo para um ajuste de contas, antes que o pai faça algum mal a seu marido e sua filha. 


Dirigido por Neil Burger, o mesmo diretor dos filmes da série Divergente e de O Ilusionista, drama de 2006 com Edward Norton elogiado pela crítica, A Filha do Rei do Pântano é um título que transita com uma certa competência pelo seu gênero. Como convém a um thriller minimamente eficiente, o longa mantém o espectador interessado pelos rumos cada vez mais imprevisíveis da sua história, construindo uma atmosfera de tensão crescente.

O desempenho de Daisy Ridley (a Rey da franquia Star Wars) é bastante competente na construção dessa personagem que preserva força e instinto de sobrevivência, mas que também é capaz de nutrir afeto por marido e filha a despeito de um passado que poderia lhe legar como herança uma dificuldade de estabelecer conexões emocionais. Nesse sentido, a atriz consegue transmitir na tela toda a tensão de uma mulher que vive esse tipo de conflito, sempre transitando entre o desejo de ter uma vida plena e feliz e as raízes do seu trauma que tornam tudo mais difícil. 

É uma pena que a despeito da ótima introdução e desenvolvimento de eventos o filme sofra tanto para encontrar um final satisfatório. No terceiro ato da história, A Filha do Rei do Pântano derrapa em uma resolução insossa e que não corresponde em momento algum às crescentes expectativas por um clímax cheio de adrenalina que constrói. O encontro entre Helena e o pai é decepcionante  e solucionado da maneira mais banal possível pelo roteiro e a direção não consegue fazer muito para tornar tudo aquilo minimamente original ou psicologicamente complexo. 



Diante das baixas expectativas do material, surgindo por debaixo do radar entre as grandes estreias do circuito comercial cinematográfico, A Filha do Rei do Pântano até que tem um saldo mais positivo do que negativo. É uma pena que o trabalho de Neil Burger tenha o seu pior momento justamente no terceiro ato, quando as emoções da história deveriam ser mais afloradas e a resolução do arco da protagonista deveria ser mais excitante para o espectador. O filme constrói muito bem o percurso até o grande acerto de contas da protagonista, ou seja, sabe conduzir o público até o seu momentum. No entanto, quando ele chega, é decepcionante e tudo é encerrado da maneira mais óbvia e com emoções bem medianas. 


Avaliação


Título original: The Marsh King's Daughter
Ano: 2023
Duração: 108 minutos
Nos cinemas
Direção: Neil Burger
Roteiro: Elle Smith, Mark L. Smith e Karen Dionne
Elenco: Daisy Ridley, Ben Mendelsohn, Garrett Hedlund, Brooklynn Prince, Gil Birmingham, Caren Pistorious, Chris Violette, Pamela MacDonald, Imali Perera. 


Assista ao trailer:





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Chovendo Sapos: Crítica: A Filha do Rei do Pântano
Crítica: A Filha do Rei do Pântano
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