Crítica: Super Mario Bros. O Filme

 


Criado na década de 1980, o encanador Mario protagonizou uma série bem-sucedida de jogos de videogame que se estende até os dias atuais, mas que marcou, sobretudo, a geração dos anos 1990. No game, os jogadores controlavam as ações de Mario em um mundo fantástico governado pela princesa Peach e ameaçado pelo vilão Bowser, uma tartaruga gigante de cabelo vermelho e garras ameaçadoras. 

Em 1993, o jogo da Nintendo já havia ganhado uma versão em live action para os cinemas com os consagrados Bob Hoskins e John Leguizamo na pele de Mario e Luigi, respectivamente, um fiasco de público e crítica que adiou por anos uma nova incursão dos personagens nas telas. Trinta anos depois, Mario retorna aos cinemas em um formato cinematográfico que talvez lhe seja mais apropriado, a animação, tudo pelas mãos da Illumination, a mesma empresa por trás de Meu Malvado Favorito e Minions. O resultado é infinitamente superior ao péssimo filme de 1993. 

Como animação, Mario encontra um terreno mais fértil para transitar pelo leque de recursos que o universo fantástico do game proporciona. Em Super Mario Bros. O Filme, a equipe de animação soube utilizar muito bem cada um dos elementos dos jogos do personagem em prol da construção de uma narrativa. Assim, os canos que transportam os personagens, os poderes adquiridos pelo protagonista conforme ele ativa cada um dos bloquinhos dourados dispostos no cenário (como aquele que faz o Mário crescer ou se transformar em um guaxinim) são muito bem apropriados pelo roteiro do filme. Situações como as fases submarinas dos jogos do Mario ou aquelas que flertam com o terror serão facilmente reconhecidas pelos fãs de longa data do game, assim como alguns chefões secundários da franquia. Enfim, o longa de animação certamente será um deleite para os fãs dos jogos do encanador da Nintendo, sendo uma gostosa experiência de reconhecimento da infância, nostalgia. 

Tecnicamente, o trabalho dos estúdios Illumination é impecável. Ainda que a animação 3D não surpreenda estilisticamente, sendo muito parecida em seus cenários e na composição das formas dos personagens à maioria dos filmes do formato, tudo é muito bem feito, deixando pouco a desejar. Como narrativa, é preciso antecipar que o longa não pretende construir uma história cerebral ou uma experiência emocionalmente densa com desenvolvimento complexo de personagens como se espera, por exemplo, dos filmes da Pixar, aqui a proposta é outra. Super Mario Bros. busca muito mais a diversão descompromissada, sendo voltado mais para crianças e atingindo o público mais adulto somente se o mesmo tiver algum vínculo afetivo com o material. 

Algumas mudanças na cartela de personagens da franquia é interessante, como por exemplo a necessária atualização na princesa Peach, que deixa de ser aquela personagem passiva dos games, ou mesmo no vilão Bowser, que rende bons momentos quando faz as vezes de apaixonado à la Elton John performando seu amor pela Peach em um piano. Há ainda a participação de Donkey Kong, outro personagem importante da Nintendo, que faz a gente supor que a empresa pretenda estender esse universo em outras animações protagonizadas por outros personagens. Em síntese, finalmente temos uma versão digna para as telas dos jogos do Mario. A animação de 2023 faz justiça à leveza, simplicidade, descompromisso, carisma e ao potencial de expansão por outras mídias que o personagem sempre teve nos jogos quando ainda era um bonequinho pixelado. 


Avaliação


Título original: The Super Mario Bros. Movie
Ano: 2023
Duração: 92 minutos
Nos cinemas
Direção: Aaron Horvath e Michael Jelenic
Roteiro: Matthew Fogel
Vozes de: Chris Pratt, Anya Taylor-Joy, Charlie Day, Jack Black, Seth Rogen, Kevin Michael Richardson, Khary Payton, Sebastian Maniscalco.

Assista ao trailer:


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Chovendo Sapos: Crítica: Super Mario Bros. O Filme
Crítica: Super Mario Bros. O Filme
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