Ação bem dirigida e uma mitologia a ser desbravada dão o tom em 'Aquaman'


Por culpa do próprio estúdio e dos produtores por trás desses projetos, todos tendo como centro criativo o diretor Zack Snyder que iniciou tudo com O Homem de Aço, os filmes da Warner baseados nos personagens da DC Comics têm penado em conquistar público e crítica. Apesar do sucesso isolado de Mulher Maravilha, por razões que vão desde os esforços em se espelhar no modelo da Marvel à péssima gestão criativa, filmes como Batman vs. Superman, Esquadrão Suicida e Liga da Justiça ajudaram a fomentar uma má fama para os filmes com o selo da empresa de quadrinhos. Aquaman é, provavelmente, seu exemplar mais estável, mais até do que Mulher Maravilha, ainda que lhe careça dois protagonistas carismáticos e cenas de força singular como no filme de Patty Jenkins.

O resultado de Aquaman é harmonioso, muito graças aos esforços do diretor James Wan, que mesmo herdando um legado de continuidade do vacilante projeto de criação de universo estendido, trouxe para o longa personalidade visual e um exímio tratamento na direção das suas cenas, algo que já fora visto em outras produções como Velozes e Furiosos 7 e Invocação do Mal. Wan sabe criar sequências na qual o espectador consegue ter uma compreensão geográfica daquilo que está acontecendo em cena, como as cenas nas quais Mera e Aquaman são perseguidos pelas criaturas do Fosso ou na qual ambos tentam se desvencilhar na Itália do vilão Arraia Negra e sua força de apoio enviada pelo rei Orm. 


A trama do filme se assemelha menos ao que convencionalmente vemos em adaptações de HQs, se assemelhando mais a uma aventura que mescla o espírito old school dos filmes de Indiana Jones com a preocupação de desenvolver uma jornada heróica embasada na construção de uma rica mitologia que lhe serve de cenário, como na trilogia O Senhor dos Anéis. Parte disso é fruto da fase do personagem que serve como inspiração para a obra, sua repaginação em Novos 52, co-assumida pelo brasileiro Ivan Reis. Filho de criatura de dois mundos, a rainha Atlanna (Nicole Kidman) e o faroleiro Tom Curry (Temuera Morrison), Arthur Curry é convocado pela princesa Mera a reivindicar o trono nos mares tendo em vista que o seu irmão Orm passou a representar uma grande ameaça com suas ideias sobre a conquista dos reinos marinhos e da terra. 

Além da ótima direção, Aquaman tem impacto visual, assumindo cores e design fortes, coloridos e de personalidade. O longa também tem como ponto alto a construção da mitologia em torno de Atlântida, muito bem delineada, sendo bem traçada, simples e complexa, mas evitando um didatismo primário. O espectador consegue dimensionar e localizar o passado daquela civilização, seus diferentes povos e até geograficamente onde cada uma delas se localiza. 

É preciso dizer que um dos pontos fracos do filme, infelizmente, é sua dupla de protagonistas. Ainda que o roteiro tente criar uma química entre Momoa e Heard baseada no antigo estratagema das implicâncias que inicialmente gerem a relação entre o casal para que esta depois venha a ser sucedida por uma real atração, ambos não conseguem sustentar alguns momentos de humor do filme. Isso não chega a ser um problema grave porque Aquaman conta com um elenco de coadjuvantes de peso e que é completamente aproveitado - diferente de alguns filmes de herói, nenhuma participação é deixada para segundo plano. Ao mesmo tempo, há um cuidado tão grande na criação desse universo e na costura da jornada do protagonista que o próprio filme se encarrega de suprir uma deficiência que poderia ser grave em outros casos. 


Aquaman, 2018. Dir.: James Wan. Roteiro: David Leslie Johnson-McGoldrick e Will Beall. Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Nicole Kidman, Patrick Wilson, Willem Dafoe, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Temuera Morrison, Michael Beach, Randall Park, Ludi Lin, Graham McTavish. Warner, 143 min. 

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Chovendo Sapos: Ação bem dirigida e uma mitologia a ser desbravada dão o tom em 'Aquaman'
Ação bem dirigida e uma mitologia a ser desbravada dão o tom em 'Aquaman'
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