Sobe e Desce: Palpites do mês de novembro para o Oscar 2018


Alguns dos festivais centrais do segundo semestre, como Veneza, Telluride, Toronto e Nova York, encerraram suas atividades com a exibição dos principais títulos da metade final de 2017. Assim, parte dos "oscarizáveis" já foram vistos pela crítica e principais veículos que fazem a cobertura da temporada de premiações. 

Mesmo faltando ainda saber como será a recepção de longas como The Post de Steven Spielberg e Phantom Thread de Paul Thomas Anderson já podemos extrair um saldo do que anda liderando a bolsa de apostas dos principais previsores de Oscar nos EUA nesse mês de novembro e também o que anda esfriando na corrida aos prêmios da temporada de final de ano. O cenário, de maneira geral, ainda está bastante em aberto, mas já dá para notar obras e nomes que prometem despontar como favoritos aos prêmios. 

Filmes


Sobe: A Forma da Água

O cinema de fantasia, raríssimas exceções, como a trilogia O Senhor dos Anéis, não costuma ser popular, sobretudo entre votantes da Academia. No entanto, A Forma da Água não é qualquer fantasia. Em tom fabular e ambientado durante a Guerra Fria, o filme conta a relação entre uma operária de fábrica muda e uma criatura que ela descobre num setor do local em que trabalha. O longa parece um retorno de Guillermo Del Toro ao que ele conseguiu em O Labirinto do Fauno, filme que saiu da premiação de 2007 com três estatuetas. A Forma da Água ganhou o prêmio de melhor filme no Festival de Veneza e anda emocionando quem já conferiu, fazendo com que apresente uma ligeira vantagem contra seu atual principal concorrente, o "frio" drama de guerra Dunkirk, do diretor Christopher Nolan. O filme de Del Toro também pode encontrar em O Destino de uma Nação, drama sobre os primeiros anos de governo do ex-primeiro ministro Winston Churchill, um concorrente mais forte, afinal, o que anda sendo dito é que o longa do inglês Joe Wright exibe eventos semelhantes aos de Dunkirk porém com mais emoção e com um verniz de épico inglês.

Também estão no páreo: Dunkirk e O Destino de uma Nação


Desce: Blade Runner 2049

Passado o frenesi da sua estreia, Blade Runner 2049 está destinado a se tornar um cult como o longa de 1982 dirigido por Ridley Scott que o antecede. O filme teve boas críticas e, na ocasião do seu lançamento nos cinemas, até gerou um burburinho de que tinha tudo para disputar as categorias principais. No entanto, passada a sua estreia, a possibilidade parece remota, sobretudo quando concorrentes mais fortes andam protagonizando as conversas sobre a temporada de premiações. Ainda assim, deve pintar nas premiações em categorias técnicas, sobretudo o trabalho de fotografia de Roger Deakins, que, mais uma vez, terá um ano difícil caso o filme não seja indicado a categorias centrais como filme, direção e roteiro. 

Diretores



Sobe: Guillermo Del Toro, A Forma da Água

Por estar promovendo A Forma da Água nesse exato momento, Guillermo Del Toro tomou a dianteira de Christopher Nolan e seu Dunkirk nas conversas mais recentes sobre o próximo Oscar. Ambos são diretores celebrados e nunca tiveram chance na Academia graças a diversos fatores, o principal deles, o nicho de cinema no qual sempre trabalharam. As obras de ambos neste ano parecem mais palatáveis a grupos que buscam consensos, como os votantes de premiações. Del Toro tem o antecedente de seus colegas mexicanos que venceram estatuetas recentemente na categoria direção, Alfonso Cuarón (Gravidade) e Alejandro González Iñárritu (Birdman e O Regresso). Já Nolan, inegavelmente, foi um dos responsáveis pela abertura do Oscar à possibilidade de dez indicados figurarem na seleção de melhor filme, dada sua ausência em 2009 por O Cavaleiro das Trevas. Para ambos, há um sentimento de débito. No momento, Del Toro parece estar mais fresco na memória do público, já que Dunkirk estreou alguns meses atrás e será relançado em cópias domésticas, o que diminui o impacto das dimensões épicas do trabalho de Nolan, mas a briga promete ser interessante. 

Também estão no páreo: Christopher Nolan de Dunkirk e Joe Wright de O Destino de uma Nação



Desce: Kathryn Bigelow, Detroit em Rebelião

Lançado em agosto, Detroit em Rebelião já não está tão fresco na memória de eventuais votantes. Além disso, a diretora Kathryn Bigelow fez trabalhos mais elogiados em Guerra ao Terror e A Hora mais Escura. Caso a Academia queira reconhecer uma mulher no grupo de indicados, nomes como Greta Gerwig de Lady Bird ou Dee Rees de Mudbound parecem apostas mais seguras. 

Atrizes



Sobe: Sally Hawkins, A Forma da Água (protagonista)

Vencendo o prêmio de melhor filme, A Forma da Água será o primeiro título desde Menina de Ouro de 2005 protagonizado por uma mulher. O êxito do filme de Del Toro se deve boa parte ao desempenho da atriz Sally Hawkins como uma operária muda. Performances como a de Hawkins têm um histórico de vitória entre votantes desse tipo de premiação que ressaltam o esforço do seu intérprete em expressar determinados sentimentos sem esboçar uma só palavra ao longo de todo o filme. Se essa ideia seguir ecoando durante as votações da temporada, Hawkins pode sair vitoriosa com facilidade. Suas principais concorrentes são a veterana Frances McDormand em Três Anúncios para um Crime e Margot Robbie de I, Tonya, que, por sinal, pode ser uma ameaça concreta a Hawkins já que nas categorias femininas os prêmios costumam ir com facilidade para jovens estrelas em ascensão. 

Também estão no páreo: Frances McDormand de Três Anúncios para um Crime e Margot Robbie de I, Tonya.


Sobe: Allison Janney, I, Tonya (Coadjuvante)

Tão forte quanto a interpretação de Margot Robbie em I, Tonya parece ser a presença de Allison Janney no filme dando vida a uma rígida matriarca, papel que, a semelhança do caso de Hawkins, costuma ser bastante premiado nessas ocasiões. Janney tem uma carreira extensa na televisão com alguns Emmys no currículo (The West Wing e Mom), além de ser presença constante em papéis pequenos em longas reconhecidos pela Academia como As Horas e Juno. A oportunidade parece ter chegado para a atriz que colheu elogios entusiasmados no Festival de Toronto, ofuscando a própria protagonista do filme. Parecem rivais de Janney numa categoria ainda pouco concorrida a vencedora do Tony Laurie Metcalf, que também interpreta a mãe da protagonista de Lady Bird, e Octavia Spencer em A Forma da Água, figurinha fácil na categoria coadjuvante sempre que surge uma boa oportunidade. 

Também estão no páreo: Laurie Metcalf de Lady Bird e Octavia Spencer de A Forma da Água. 


Desce: Kate Winslet, Roda Gigante (Protagonista)

Protagonista do mais recente longa de Woody Allen, Kate Winslet parecia um nome certo em 2018 até o filme começar a ser visto e as críticas terem sido relativamente fracas. Além disso, Roda Gigante estreou em meio ao escândalo Harvey Weinstein e ao retorno de Woody Allen às manchetes tendo que responder por suas declarações sobre o caso e o público sendo relembrado do passado do cineasta. Não sei se depois de um momento como o que Hollywood viveu em 2018 - além disso, extremamente concorrido entre as atrizes - haverá espaço para Roda Gigante nas premiações.  


Desce: Michelle Pfeiffer, Mãe! (Coadjuvante)

Apesar do clamor e da categoria coadjuvante ainda ter espaço para mais especulações, não sei se haverá terreno para indicações a Michelle Pfeiffer por Mãe!. Sem dúvida, em 2017, o que foi percebido é que as pessoas amam Pfeiffer e desejam vê-la retornando na temporada de premiações (basta dar uma olhada nos posts dos blogs de lá). No entanto, apesar do ótimo desempenho, o filme é alegórico demais e sua personagem é parte de toda a simbologia arquitetada por Darren Aronofsky. Talvez tenha mais chances que o próprio longa, mas, caso outras candidatas apareçam em filmes bem aceitos pelos pares e pela crítica, a tendência é pela exclusão de Pfeiffer, infelizmente. 

Atores



Sobe: Gary Oldman, O Destino de uma Nação (protagonista)

Numa performance em que praticamente desaparece no personagem, Gary Oldman é imbatível em 2018 como o Winston Churchill de O Destino de uma Nação do inglês Joe Wright. Quem assistiu ao longa tem dito que o ator conseguiu não apenas uma semelhança física, mas também buscou compreender a personalidade de Churchill. Com apenas uma indicação no currículo (O Espião que sabia Demais) e o enorme sentimento de dívida que paira no ar quando se fala da relação de Oldman com a Academia, o momento de premiar o ator é agora. Seus concorrentes mais fortes parecem o sempre azarado quando o assunto é Oscar Jake Gyllenhaal e a revelação Timothée Chalamet (tendo ainda James Franco e seu The Disaster Artist correndo por fora dada a incerteza de como a Academia receberá o filme). Há ainda a incerteza sobre Tom Hanks em The Post e Daniel Day-Lewis em Phantom Thread, ainda inéditos por lá. No entanto, a performance de Oldman me parece daquelas cuja vitória se repetirá exaustivamente durante a temporada. 

Também estão no páreo: Jake Gyllenhaal de O que te faz mais Forte e Timothée Chalamet de Me Chame pelo seu Nome


Sobe: Willem Dafoe, The Florida Project (Coadjuvante)

Sean Baker de Tangerine tem caído nas graças dos públicos dos festivais com esse tímido indie protagonizado por uma garotinha e Willem Dafoe como o administrador de um hotel beira de estrada. Dafoe é aquele ator consagrado, que já tem uma extensa carreira em Hollywood, com uma simpatia de toda a indústria e que parecia estar esperando pelo momento certo para vencer prêmios. Possivelmente, o ator enfrenta a concorrência de Sam Rockwell de Três Anúncios para um Crime e Armie Hammer de Me Chame pelo seu Nome. 

Também estão no páreo: Sam Rockwell de Três Anúncios para um Crime e Armie Hammer de Me Chame pelo seu Nome


Desce: Matt Damon, Pequena Grande Vida (Protagonista)

Alexander Payne colheu elogios no Festival de Veneza com Pequena Grande Vida, mas a repercussão do filme parece estar esfriando nos EUA. Da mesma forma como anda esfriando a sensação de que Matt Damon poderia retornar na temporada com indicações por seu desempenho no filme. Talvez o Globo de Ouro possa ajudar de alguma forma o ator e o filme a serem lembrados no Oscar. 


Desce: Kevin Spacey, All the Money in the World (Coadjuvante)

Os acontecimentos da última semana que vincularam Kevin Spacey a acusações de assédio culminando num equivocado pedido de desculpas do ator provavelmente limaram quaisquer chances dele retornar ao próximo Oscar com seu desempenho camaleônico em All the Money in the World, de Ridley Scott, que, por sinal, sequer foi visto. Muitos podem alegar: "Ah, mas ano passado Casey Affleck também esteve vinculado a acusações parecidas e acabou vencendo o prêmio". Estamos, no entanto, falando de um momento completamente diferente daquele. Não sei se qualquer campanha pelo ator será eficiente a ponto de fazer as pessoas esquecerem tudo o que foi repercutido na mídia recentemente. Há ainda a incerteza sobre a campanha que o estúdio fará para o filme, possivelmente concentrando seus esforços no nome de Michelle Williams, protagonista do drama. 

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Chovendo Sapos: Sobe e Desce: Palpites do mês de novembro para o Oscar 2018
Sobe e Desce: Palpites do mês de novembro para o Oscar 2018
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