Há 30 anos, o grotesco 'Hellraiser: Renascido do Inferno' era lançado


Quem não se lembra na infância de ter ficado impressionado com as imagens de violência e algumas das criaturas do filme Hellraiser: Renascido do Inferno, exibido muitas vezes na grade da TV aberta aqui do Brasil? A produção de horror inglesa dirigida e roteirizada por Clive Barker, baseada no seu livro Evangelho de Sangue, que, por sinal acaba de ganhar uma edição brasileira pela editora DarkSide, completa 30 anos de lançado em setembro desse ano. 

Na história do longa, Julia se muda com o marido para uma antiga casa da família e acaba despertando um antigo amante da morte, Frank. Para voltar a ter um corpo humano em sua perfeição, o falecido acaba convencendo-a a seduzir alguns homens, sacrificando um a um até que uma aparência física "normal" seja estabelecida. A empreitada dos dois é uma corrida contra o tempo pois eles devem fazer isso antes da aparição de um trio de cenobites, repulsivos demônios responsáveis por levar Frank ao inferno quando este tomou posse de uma antiga relíquia em forma de cubo. 


Produto de uma época na qual pouquíssimos recursos digitais eram utilizados, Hellraiser impressiona até hoje pelo resultado horripilante que exibe com o uso de elementos palpáveis como maquiagem. Há um ótimo trabalho na composição dos personagens Frank, com sua anatomia exposta gradualmente em carne viva na tela, e o líder dos cenobites, o Pinhead. Por outra via, há também a inserção de robôs, como nos momentos em que vemos a gradual formação do corpo de Frank ou a aparição de criaturas que passam a perseguir Cristy, enteada de Julia. 

No entanto, nem só de êxito técnico vive Hellraiser e justamente por esse motivo o longa continua tão eficiente até hoje. Barker demonstra habilidade na sedução do espectador pela sua história ao apresentar relações cujos meandros geram interesse gradual no público, a começar pela dinâmica doentia estabelecida entre Julia e Frank assim que ela retorna para a casa que antes serviu de cenário para o romance do casal e o faz retornar do mundo dos mortos. Grande parte desse êxito também pode ser creditado a atriz britânica Clare Higgins que confere ainda mais corpo a uma personagem já interessante nas linhas do roteiro. O desempenho de Higgins é tão impactante que a atriz retorna para a sequência Hellraiser II: Renascido das Trevas, quando seu desfecho no primeiro filme parecia não indicar uma volta. 


Trivia:
  • Durante toda a filmagem de Hellraiser, o ator Doug Bradley nunca apareceu para seus colegas sem a maquiagem do líder dos cenobites, tanto que durante as festas que sucederam o lançamento do filme muita gente que participou da produção sequer sabia quem ele era e o que estava fazendo ali. O ator acabou contribuindo com a maquiagem e sendo creditado em muitos títulos da franquia como membro da equipe;
  • Há referências sadomasoquistas no filme não apenas pela relação doentia entre Julia e Frank, cujas cenas de sexo com esse teor, inclusive, foram retiradas da versão para os cinemas a fim de baixar a classificação indicativa do longa, mas nos figurinos dos cenobites e no uso de elementos como correntes e ganchos ao longo da história; 
  • O orçamento de Hellraiser estava na casa de US$ 1 milhão de dólares e o filme conseguiu arrecadar US$ 20 milhões mundialmente; 
  • O filme foi a estreia em longas de Clive Barker, que depois dirigiu apenas mais dois projetos para o cinema, Raça das Trevas, de 1990, e O Mestre das Ilusões, de 1995. Apesar disso, Barker esteve nos bastidores lucrando muito com tudo aquilo que seu filme original rendeu, como livros, toys, histórias em quadrinhos, as inevitáveis continuações para o cinema e até mesmo um jogo para a Nitendo;
  • Apesar de ter estreado nos EUA em 1987, o filme só chegou no Brasil em 1990. 
Assista ao trailer do filme:

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Há 30 anos, o grotesco 'Hellraiser: Renascido do Inferno' era lançado
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