O melhor e o pior das 6 temporadas de 'American Horror Story'


Um dos maiores sucessos da TV americana, American Horror Story tem uma fanbase volumosa. A antologia de horror criada por Ryan Murphy e Brad Falchuk consegue prender e cativar  espectadores por inúmeras características, como os componentes viciantes de suas tramas e um elenco classe A comandando personagens ricos do ponto de vista dramatúrgico. A série, no entanto, sempre foi um programa controverso, deixando o público lá e cá com as decisões tomadas por seus roteiristas em praticamente todas as suas temporadas. 

Aproveitando a chegada do sétimo ano do show com American Horror Story:Cult, que estreia dia 06 de setembro 00h no FX (veja o trailer aqui), listamos aquilo que de melhor e pior existiu em cada uma das temporadas da série, afinal nada nesse mundo é perfeito, né, gente? E essa é a graça de acompanhar todo ano o programa. Antes de mais nada, adianto que é uma postagem para iniciados na série, portanto se não assistiu e não deseja saber alguns dos principais segredos das temporadas, não prossiga. CONTÉM SPOILERS!!!!


Murder House (2011) - 1ª Temporada

O melhor: O humor
Uma das qualidades da temporada inaugural de American Horror Story é a maneira como roteiristas e diretores trataram os eventos na casa da família Harmon, que entre o creepy e o trágico sempre foram dosados por uma certa comicidade, sobretudo em relação ao convívio entre mortos e vivos na mansão. A ninfomania do psiquiatra Ben Harmon transformada em patético, porque assim deve ser tratada, é um exemplo disso. 

O pior: A sensação de adiamento do fim
Lá pelo décimo episódio de Murder House, a sensação que se abateu sobre a temporada é que ela repetia as "barrigadas" de muitas séries, que, diante da necessidade de cumprir uma pré-definição de 13 episódios por ano para a emissora, acaba adiando o desfecho da narrativa e socando uma série de eventos pouco produtivos para o andamento da trama nuclear. 


Asylum (2012) - 2ª Temporada

O melhor: O contexto histórico e social
Como primeira temporada ambientada no passado, Asylum trouxe fatos históricos que se adequaram à narrativa e se mostraram relevantes na construção dos seus personagens. Ao ser ambientado no sanatório Briarcliff pós-Segunda Guerra, a temática da eugenia vem à tona com os experimentos macabros do Dr. Arthur Arden, interpretado por James Cromwell. Os absurdos tratamentos de cura da homossexualidade tiveram seu momento através de eventos que serviram de argumento público e sucederam a internação da jornalista Lana Winters, interpretada por Sarah Paulson. 

O pior: Bobagem, mas a trama de abdução alienígena
A percepção que tenho é que sempre teremos Asylum como uma espécie de parâmetro qualitativo para American Horror Story, já que estamos sempre comparando as demais com a segunda temporada do programa tamanho o acerto de Murphy e Falchuk no segundo ano. Não tenho maiores "poréns" com Asylum, mas se fosse para apontar uma decisão como duvidosa no encaminhamento dessa temporada seria a trama de abdução alienígena envolvendo Kit Walker, personagem de Evan Peters, que em dado momento é subaproveitada, mas, bobagem. 


Coven (2013) - 3ª Temporada

O melhor: O elenco de divas do horror
Após dois anos de programa, os fãs da série são surpreendidos com a notícia de que em Coven se juntaria à veterana Jessica Lange, que já vinha arrasando nas temporadas passadas assumindo o posto de diva do horror, as atrizes Kathy Bates e Angela Bassett, duas profissionais de talento incontestável, mas que, infelizmente, por força de um movimento da própria indústria do cinema, eram supaproveitadas em projetos infelizes na telona. Ambas tinham tudo para duelar com Lange em cena. Se juntariam ao trio, rostos conhecidos da série como Sarah Paulson, Evan Peters, Taissa Farmiga, Lily Rabe, Frances Conroy e Denis O'Hare, com outros recém chegados, como Emma Roberts, Gabourey Sidibe e Danny Huston. 

O pior: O desperdício da temática (e do próprio elenco)
Coven era a temporada que tinha uma das temáticas mais interessantes já propostas por Murphy e Falchuk. Trazia a possibilidade de explorar com humor seus temas como na primeira temporada, trouxe personagens femininas dominantes, tratou de bruxaria e a contextualizou na história de Nova Orleans... Mas de que adianta tudo isso se parte das personagens ficaram na promessa e em dado momento da história os roteiristas pareciam perdidos, sem saber o que fazer com suas criações. Bates e Bassett, duas grandes estrelas da temporada, tinham ótimas personagens, ambas desperdiçadas. O mesmo podemos dizer de Lily Rabe, que brilhou nas duas temporadas anteriores e que aqui sofreu com o deslocamento da sua Misty Day na própria trama, ou Evan Peters que penou para tornar sua versão zumbi Frankenstein shakesperiana minimamente relevante na segunda metade da temporada. Ao menos o desfecho atenuou algumas más impressões com um encaminhamento digno para a personagem de Sarah Paulson, a suprema Cordelia Foxx. 


Freak Show (2014) - 4ª Temporada

O melhor: O olhar afetuoso para seus personagens
Em Murder House, Tate Langdon, papel de Evan Peters, diz uma sentença que sintetiza uma ideia trabalhada por Murphy e Falchuk ao longo de todas as temporadas de American Horror Story: "Pessoas normais me assustam". Através dela entendemos que na maior parte dos eventos da série, os personagens que potencialmente ofereceriam o horror, os freaks, não são aqueles que devemos temer. A temporada na qual os criadores mais tiveram êxito no desenvolvimento dessa ideia foi Freak Show porque, para além dos eventos apavorantes que contempla há um olhar extremamente doce para o drama de seus personagens. Difícil não se comover com a história de Elsa Mars, personagem de Jessica Lange, ainda que, curiosamente, a mesma seja capaz de atos condenáveis, ou ainda com o delicado episódio Orphan que nos conta a origem de Pepper, personagem que conhecemos desde Asylum e que aqui retorna estabelecendo algumas das primeiras conexões entre as temporadas. 

O pior: A sensação de adiamento do fim e o subaproveitamento de alguns atores
Assim como Murder House, chega um dado ponto de Freak Show que a série nos passa a sensação de estarmos sendo enrolados por pura obrigação protocolar de compor 13 episódios. Do outro lado, as atrizes Kathy Bates e Angela Bassett seguem merecendo mais momentos do que a própria série as oferece. Ainda assim, é um dos melhores anos do show, junto com Asylum e (gosto pessoal) Hotel

Temos uma crítica de American Horror Story: Freak Show no blog. Leia aqui


Hotel (2015) - 5ª Temporada

O melhor: O formato "mosaico"
Muita gente não gosta, mas, particularmente, é o que faz de Hotel uma das melhores temporadas do programa. Acredito que o caráter disperso da temporada é fruto da sua própria proposta, oferecer um número variado de histórias e núcleos que, eventualmente, se cruzam, mas que mantém uma existência e autonomia própria. É como se estivéssemos assistindo a um Short Cuts, do Robert Altman, ou a um Magnólia, de Paul Thomas Anderson, em formato de série de horror ambientada no Hotel Cortez. Além disso, tem alguns dos melhores personagens de toda a série, parte deles inspirados em figuras que de fato existiram, com a devida liberdade criativa de Murphy e Falchuk, como aconteceu nas temporadas anteriores. Fora tudo que já dissemos, Hotel é a estreia em grande estilo de Lady Gaga que dá conta do recado como a poderosa e dúbia vampira chamada por todos de Condessa. 

O pior: Seu finale
Ainda que proporcione ótimos momentos, Hotel tem um final que não condiz com o desenvolvimento da própria temporada. Tudo parece amarrado com pressa e os roteiristas não exibem muito esforço para encerrar algumas de suas histórias, como a da própria Condessa, vivida por Lady Gaga, e Sally, a junkie interpretada por Sarah Paulson. Mas os personagens são tão curiosos e têm momentos tão interessantes que, particularmente, sou capaz de passar por cima desses problemas. 


Roanoke (2016) - 6ª Temporada

O melhor: O conceito metalinguístico
Roanoke quis tratar da cultura da celebridade em nossos tempos abordando variados formatos de produções audiovisuais calcadas na ideia de "relatos de eventos reais". Tivemos a dramatização, o reality show, os programas de ghosthunters... Tudo sobre o tema da série e o que aconteceria em cada um dos seus capítulos foi mantido sob o mais absoluto sigilo, algo que, do ponto de vista espectatorial, de fato funcionou e rendeu uma experiência interessante para quem acompanhou a temporada em "tempo real" (mais metalinguagem). Quando que hoje em dia conseguimos assistir a uma série assim no escuro? O sexto ano ousou e apresentou um resultado do ponto de vista formal muito bem executado.

O pior: A falta de carisma da temporada
Murphy e Falchuk extraíram, propositalmente, todos os componentes que tornavam American Horror Story um fenômeno pop, Roanoke era um ponto fora da curva, parecia outro programa. Se por um lado esse filtro foi coerente com a própria proposta da temporada e demonstrava uma ousada ruptura com as marcas do programa, por outro, tornam Roanoke uma das temporadas que nos traz menos  recordações. É dífícil lembrar de um momento ou personagem marcante do sexto ano de American Horror Story, quando ao longo dos anos anteriores temos dezenas deles. Como indício dessa falta de carisma, a temporada nem teve a tradicional abertura, algo que promete retornar em American Horror Story: Cult

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Agenda,14,Checklist,9,Cinco Atos,1,Crítica,155,DVD & Blu-Ray,6,Editorial,2,Entrevista,2,Extras,9,Listão,18,Matéria Especial,15,Notícias,21,Prévia,77,Radar Crítico,20,Rewind,4,TV & Streaming,35,Vilões que Amamos Odiar,1,
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Chovendo Sapos: O melhor e o pior das 6 temporadas de 'American Horror Story'
O melhor e o pior das 6 temporadas de 'American Horror Story'
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