Oscar 2014: Gravidade, 12 Years a Slave, Cate Blanchett e Chiwetel Ejiofor dominam as apostas


Jantares especiais, festas com homenagens, festivais e sessões para comissões votantes... Enquanto para nós o Oscar 2014 é algo ainda muito distante, nos EUA os principais estúdios e distribuidoras correm para seduzir membros da academia de Hollywood e  associações de críticos e profissionais da sétima arte e, quem sabe, abocanhar uma indicação nas listas das principais premiações do ano, que devem começar a sair pelos próximos dias.
 
Este post é dedicado a quem é apaixonado pelo "prazer culposo" de especular sobre o Oscar e as demais premiações do cinema com meses de antecedência.
 
MELHOR FILME
 
Montagem: Variety
 Parece um consenso que a batalha do ano pelos principais prêmios será entre Gravidade, de Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança), e 12 Years a Slave, de Steve McQueen (Shame), com uma ligeira vantagem para o segundo.  Quer dizer, isso é o que podemos afirmar até o momento.

Gravidade, além de contar com uma das maiores bilheterias do ano, foi abraçado pela crítica e representa, tal qual Avatar, em 2009, um avanço para o cinema no quesito técnico. Para benefício do longa estrelado por Sandra Bullock, ele conta com o fator emocional a seu favor, o que o faz levar uma grande vantagem. No entanto, Gravidade tem contra si a ausência de um roteiro mais elaborado, o que conta no filme de Cuarón, como trouxemos na crítica do blog, é a forma com que ele foi contado. Por este motivo, 12 Years a Slave toma a dianteira. O novo longa de Steve McQueen conta a história de um escravo liberto que é sequestrado e forçado a tornar-se escravo novamente na propriedade de um cruel fazendeiro, vivido por Michael Fassbender. Após passar nos festivais de cinema de Telluride e Toronto, 12 Years a Slave rapidamente tornou-se o filme com as melhores resenhas do ano.
 
O que torna Gravidade e 12 Years a Slave candidatos instantâneos aos prêmios de melhor filme da temporada é que ambas produções trazem em si características que as definem como grandes realizações artísticas, seja o perfeccionismo técnico (Gravidade), sejam as reverberações temáticas (12 Years a Slave, um filme sobre a escravidão, dirigido por um negro - que pode ser o primeiro a conquistar um prêmio de melhor direção pela Academia -, em um ano dominado por outras produções com o mesmo tema).



Montagem: FacciadiBronzo
A disputa entre Gravidade e 12 Years a Slave só pode ser abalada por dois outros títulos que, até o momento, não foram vistos pela crítica ou pelo público: American Hustle, de David O. Russell (O Lado Bom da Vida e O Vencedor), ou O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese (A Invenção de Hugo Cabret e Os Infiltrados).

O. Russell dominou as recentes premiações com filmes que acertaram em cheio o "gosto" da Academia. O Vencedor e O Lado Bom da Vida encontraram eco entre os votantes do Oscar, com indicações sobretudo para boa parte dos integrantes de seu elenco (o segundo, por exemplo, rendeu indicações para as quatro categorias de interpretação do Oscar no ano passado). American Hustle será a terceira tentativa de O. Russell com a Academia, será que dessa vez ele conseguirá? O filme, que será chamado Trapaça no Brasil, conta a história de um golpista (Christian Bale) que, junto com sua amante (Amy Adams), resolve colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper) infiltrado em um grupo de mafiosos comandado por um político (Jeremy Renner). Todo o esquema do grupo começa a ruir quando a jovem esposa do golpista (Jennifer Lawrence) descobre o caso do marido e seu envolvimento com o crime.

Já O Lobo de Wall Street será a quinta colaboração de Leonardo DiCaprio e o cineasta Martin Scorsese ( eles já trabalharam juntos em Gangues de Nova York, O Aviador, Os Infiltrados e Ilha do Medo). O filme traz a história de um jovem investidor da bolsa de valores que conheceu a decadência nos anos de 1990, não sem antes se envolver em escândalos com drogas, festas, mulheres e alguns crimes fiscais. DiCaprio é o protagonista do longa que conta com participações de Matthew McConaughey, Jonah Hill e Jean Dujardin (vencedor do Oscar por O Artista). Aqui, a mesma lógica aplicada a American Hustle: é praticamente difícil a Academia resistir a Scorsese, resta saber se o filme terá o mesmo impacto na audiência que Gravidade e 12 Years a Slave tiveram.
 
ATRIZES
 

Todas as possíveis candidatas deste ano já venceram um Oscar em suas carreiras. Temos Cate Blanchett de Blue Jasmine (vencedora como coadjuvante em O Aviador), Sandra Bullock de Gravidade (vencedora como atriz em Um Sonho Possível), Emma Thompson de Walt nos bastidores de Mary Poppins (vencedora como melhor atriz Retorno a Howard Ends e do prêmio de melhor roteiro adaptado por Razão e Sensibilidade), Meryl Streep de Álbum de Família (vencedora como atriz em A Dama de Ferro e A Escolha de Sofia e como coadjuvante em Kramer vs. Kramer) e Judi Dench de Philomena (vencedora como coadjuvante por Shakespeare Apaixonado). Correndo por fora ainda temos Kate Winslet de Labor Day (vencedora como atriz por O Leitor). As únicas prováveis concorrentes do ano que nunca ganharam uma estatueta do Oscar são Amy Adams de American Hustle, que já foi indicada quatro vezes ao prêmio como coadjuvante (Retratos de Família, Dúvida, O Vencedor e O Mestre), e a francesa Adele Exarchopoulos do longa vencedor da Palma de Ouro em Cannes, Azul é a Cor mais Quente.

O fato é que, até o momento, a disputa favorece Cate Blanchett, que praticamente tomou o filme de Woody Allen para si com sua interpretação e é a única da lista que detém um prêmio como coadjuvante. As maiores concorrentes de Blanchett são Sandra Bullock e Emma Thompson pelas reações emotivas da audiência à trajetória de seus personagens nos filmes que protagonizam. O que valerá aqui é o que a Academia deseja premiar este ano, uma personagem desagradável como Jasmine (Blanchett) ou protagonistas detentoras do que os norte-americanos chamam de "likability", ou seja, mulheres que provoquem a empatia do público com trajetórias admiráveis e edificantes ao longo de uma história? Na maior parte dos casos o triunfo vem para as concorrentes com a segunda característica, mas há casos excepcionais, como o de Natalie Portman em 2011, por Cisne Negro. Apostaria minhas fichas em Blanchett, a exceção.

No entanto, assim como acontece com os candidatos a melhor filme, Amy Adams de American Hustle pode surpreender e conseguir destaque na disputa pelos prêmios de melhor atriz. Nenhuma intérprete consegue quatro indicações ao Oscar com menos de quarenta anos de idade à toa, certo? O fato de Adams nunca ter vencido um Oscar pode contar pontos a seu favor na disputa com estas veteranas. Resta o filme ser visto e termos as primeiras reações ao desempenho da atriz.
 
As coadjuvantes
 

Oprah Winfrey foi o primeiro nome a surgir na temporada. O Mordomo da Casa Branca estreou em agosto nos EUA e logo todos estavam falando quão maravilhoso era o desempenho de Winfrey como a esposa do mordomo do título. E realmente é! Winfrey é um dos melhores aspectos do filme, já foi indicada como coadjuvante por A Cor Púrpura em 1987 e é um ícone nos EUA. Quer coisa mais sedutora para a Academia do que premiar uma das figuras mais populares do país?

No entanto, a popularidade de 12 Years a Slave na comunidade cinematográfica trouxe com força o nome da estreante Lupita N'Yongo, intérprete da esposa do protagonista desta outra história marcante sobre a conquista dos direitos civis dos negros nos EUA. A premiação de N'Yongo também inspira uma sedutora estratégia publicitária da Academia: dar a vitória a uma promessa. O Oscar adora incentivar a carreira de jovens atrizes.

A batalha das duas promete prosseguir até o último momento. Tudo depende de como a Academia abraçará 12 Years a Slave. Se for "o" filme do ano, é bem provável que Lupita ganhe o Oscar e outros prêmios dessa categoria.
 
ATORES
 

Até termos uma resposta sobre os desempenhos de Leonardo DiCaprio em O Lobo de Wall Street e Christian Bale em American Hustle, os principais nomes da próxima corrida aos prêmios de melhor ator são Chiwetel Ejiofor, do possível candidato a melhor filme 12 Years a Slave, Matthew McConaughey, que emagreceu 22 quilos para viver um portador de HIV em Dallas Buyers Club, e o veterano, mas nunca ganhador de um Oscar como ator, Robert Redford por All is Lost.
 
Apesar do esforço e da transformação de McConaughey, algo que sempre conta a favor, os nomes mais celebrados até o momento são os de Ejiofor e Redford. O que se comenta é que será um dos anos mais difíceis nesta categoria e que é bem provável que, ao longo da temporada de prêmios, as vitórias sejam distribuídas até chegarmos ao Oscar.
 
Outros nomes especulados como prováveis indicados são os de Bruce Dern em Nebraska, Tom Hanks em Capitão Phillips e Forest Whitaker de O Mordomo da Casa Branca.
 
Os coadjuvantes
 
 Se Matthew McConaughey emagreceu 22 quilos em Dallas Buyer Club, seu parceiro de cena, Jared Leto, perdeu 18 para viver um transformista também vítima da Aids. Leto, que se afastou por alguns anos do cinema, um pouco desiludido, e dedicou-se à música com o 30 Seconds to Mars, viu sua carreira de ator renascer com os comentários elogiosos a seu trabalho neste drama. 
 
No entanto, Leto tem como ameaça o Walt Disney de Tom Hanks em Walt nos bastidores de Mary Poppins, que, apesar do título brasileiro, disputa como coadjuvante pois a história é centrada na personagem de Emma Thompson. Todos voltaram a falar de Hanks, de repente, por este papel, desde a sua detalhada caracterização como Disney até seu emocionante diálogo com a personagem de Thompson no final do longa. Dizem que um vencedor do Oscar como protagonista (Hanks venceu como melhor ator por Filadélfia e Forest Gump) raramente vence uma estatueta anos depois como coadjuvante. Ingrid Bergman está ai para comprovar que, em se tratando de Oscar ou da temporada de prêmios em geral, não há regra que não possa ser quebrada (após vencer dois Oscars como melhor atriz, ela venceu como coadjuvante por Assassinato no Expresso Oriente em 1975).
 


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Chovendo Sapos: Oscar 2014: Gravidade, 12 Years a Slave, Cate Blanchett e Chiwetel Ejiofor dominam as apostas
Oscar 2014: Gravidade, 12 Years a Slave, Cate Blanchett e Chiwetel Ejiofor dominam as apostas
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